Com o fim do recesso parlamentar, a CPMI do INSS deve retomar suas atividades já sob clima de tensão, iniciando os trabalhos com a possível aprovação de requerimentos que convocam o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e integrantes de seu entorno político para prestar esclarecimentos.
Os deputados Kim Kataguiri (União-SP) e Alfredo Gaspar (União-AL), relator da comissão, protocolaram pedidos formais para ouvir o parlamentar maranhense. A iniciativa tende a agravar ainda mais a situação de um senador que enfrenta forte desgaste político em pleno ano eleitoral.
Investigado pela Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, Weverton passou a ser vinculado a um esquema bilionário de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. No Maranhão, estado marcado por altos índices de pobreza extrema, cerca de 243.840 beneficiários teriam sido prejudicados, muitos deles sobrevivendo exclusivamente desses recursos.
O impacto político foi imediato. Levantamentos eleitorais apontam uma queda significativa no desempenho do senador, associada diretamente à repercussão do escândalo. Disputando a reeleição, o pedetista atravessa o período mais crítico de sua trajetória pública.
Números do Instituto EPO (Estratégia Pesquisas de Opinião) evidenciam esse cenário. Caso o pleito ocorresse hoje, Weverton apareceria apenas na quinta colocação na corrida pelo Senado, com aproximadamente 9,6% das intenções de voto — um declínio acentuado para quem já liderou as pesquisas e agora enfrenta o custo político de um caso que atingiu os mais vulneráveis.
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em imóveis ligados ao senador em Brasília e São Luís, além de ter solicitado sua prisão, posteriormente negada pelo Supremo Tribunal Federal. Paralelamente, o INSS já devolveu R$ 150,25 milhões referentes a descontos irregulares aplicados no Maranhão.
Em meio à crise, adversários ganham espaço. O ex-senador Roberto Rocha (sem partido) avança nas pesquisas, ultrapassando a senadora Elisiane Gama e o próprio Weverton. O governador Carlos Brandão lidera com ampla vantagem a disputa para o Senado, seguido por Roberto Rocha e André Fufuca.
Nos bastidores, a principal incógnita deixou de ser a continuidade do desgaste e passou a ser se ainda haverá espaço político para alguém associado a um esquema que retirou recursos até de quem já vivia no limite da sobrevivência.

