Transição na Inteligência Artificial: plataformas agênticas assumem processos operacionais de ponta a ponta nas empresas

  



Especialista da UniCesumar explica que o mercado corporativo deixa a geração de textos e imagens para focar em sistemas autônomos que tomam decisões com base em regras de negócio, alterando a dinâmica de trabalho em empresas de todos os portes.

O mercado corporativo registra uma mudança estrutural no uso da Inteligência Artificial em 2026. Após a saturação dos modelos focados apenas na geração de textos e imagens, a prioridade dos investimentos voltou-se para o ganho direto de eficiência e resolução de gargalos. A demanda atual afasta-se da IA como assistente de conteúdo e direciona-se às Plataformas Agênticas, sistemas autônomos que não apenas sugerem respostas, mas acessam bancos de dados, tomam decisões com base em regras de negócio e executam rotinas operacionais de ponta a ponta. Essa transição reposiciona a tecnologia: de uma ferramenta de suporte isolada para uma infraestrutura central que assume fluxos de trabalho inteiros nas empresas.

A diferença central entre as duas tecnologias equivale à distinção entre um consultor e um executor. "A IA Generativa tradicional funciona como um consultor. Você descreve o problema e ela fornece uma resposta, mas a execução e a atualização dos sistemas continuam sob responsabilidade humana. A Plataforma Agêntica opera como um executor. Ela recebe um objetivo, acessa os softwares da empresa, como ERPs e CRMs, toma decisões dentro dos limites pré-estabelecidos pela gestão e conclui a tarefa. A IA sai do papel de ferramenta de apoio e passa a ser uma infraestrutura operacional”, explica Raul El Greco, professor de Inteligência Artificial e Machine Learning da EAD UniCesumar.

A escala dessa transição tecnológica é mensurada pelo mercado. O Gartner projeta que 40% dos aplicativos corporativos terão agentes de IA integrados até o final de 2026. Para efeito de comparação, esse número era inferior a 5% em 2024 e no início de 2025, o que demonstra a rápida adoção da tecnologia na base das operações.

Autonomia supervisionada e a cobertura operacional

A autonomia desses sistemas é estritamente técnica e baseada em regras, já que na prática, a IA identifica demandas, compara dados, executa a ação cabível e registra o histórico para auditoria. O gestor humano é acionado apenas quando há exceções à política da empresa, limites financeiros ultrapassados ou riscos jurídicos.

Esse modelo ganha relevância em períodos de restrição de pessoal, como nas férias de julho. A Plataforma Agêntica atua na triagem de chamados, na resolução de demandas financeiras e no controle logístico, áreas de alto volume e previsibilidade. "Ela atua como uma camada de cobertura para manter a cadência da operação. Isso evita o acúmulo de passivos de tarefas e libera a equipe humana, que está reduzida, para focar estritamente em problemas que exigem julgamento e resolução de ambiguidades", pontua o professor da UniCesumar.

Avanço nas PMEs e o obstáculo dos processos

A digitalização acelerada dos últimos anos viabilizou a adoção de IA também nas pequenas e médias empresas (PMEs). A popularização de sistemas em nuvem, ERPs por assinatura e integrações via WhatsApp criou a base de dados necessária para que os agentes autônomos funcionem em negócios menores. Contudo, o principal obstáculo para a implementação da IA Agêntica nas empresas brasileiras deixou de ser tecnológico e passou a ser organizacional. A IA exige processos documentados, dados atualizados e regras explícitas.

"A máquina não tem como agir sobre o que não está registrado. Por isso, a recomendação para adoção é iniciar com autonomia controlada. A empresa implementa a IA primeiro para recomendar ações, depois avança para a execução de tarefas com supervisão e, por fim, delega o processo completo com limites de risco claros", orienta El Greco.

O reposicionamento humano e a adaptação na educação

Com a IA absorvendo o trabalho operacional e regrado, as funções humanas são deslocadas para a gestão de ambiguidades, estratégia de negócios e ética, elementos que a tecnologia não processa. Essa mudança exige um ajuste direto na formação dos novos profissionais de tecnologia. Os cursos superiores da área estão adaptando seus currículos, passando de uma matriz centrada exclusivamente em código para uma visão de arquitetura de sistemas complexos.

"O profissional de tecnologia agora precisa entender de processos de negócio, governança e engenharia de dados. Mais do que construir o agente, a demanda do mercado é por profissionais que saibam monitorar essas plataformas, auditar suas decisões e estabelecer os limites de autonomia com responsabilidade", conclui o professor da EAD UniCesumar.

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